Certa vez, em conversas “emiessiênicas” entre blogueiros, eu comentei que achava que blogueiro escrevia pra blogueiro lê, o meu amigo Guilherme Lautenschläger do Caixa Pretta discordou, falou que não acreditava nisso. Bom, talvez eu até esteja errado, mas sabe tenho essa impressão que pessoas “normais” não lêem Blogs, talvez até leiam um ou outro desses “famosões” ou entram por um acaso, como os conhecidos “pára-quedistas” e não dão a devida atenção ao blog e ao que está escrito.
O texto a seguir retrata exatamente a vida de blogueiro, é a síntese do que passamos, me senti como se estivesse sido escrito por mim ou pra mim.
É texto pra blogueiro lê, mas o leitor normal (se existir) também deve lê, é um pouquinho extenso mas realmente vale a pena.
Epístola aos Blogueiros
Nunca invejei Santo Agostinho pela sua salvação. Não conseguiria repeti-lo. Guarda-se a impressão de que ele quis se livrar da danação no ombro do Pai. Olhando de perto, ele foi mais corajoso do que conformista. Antecipou o inferno aqui. Não esperou para sofrer na outra dimensão. Pagou à vista o inferno. Converter não é encontrar Deus, é encontrar o inferno.
Blog traduz uma prova de resistência. Um big brother ao avesso dos gêneros literários. Ao invés de ser conhecido, corresponde a um mergulho adoidado no anonimato. Distinto da noção do senso comum de que se trata de um lugar para aparecer. O resultado final (a possível badalação de um endereço virtual) não expõe a realidade. Os exibidos foram antes tímidos, os extrovertidos foram antes introvertidos. É a mais dolorida experiência editorial. O mais severo teste vocacional. Uma ferramenta do diabo, capaz de sugar sua vida ou sua aspiração.
Indica a fronteira entre o amador e o escritor, entre o diletante e o renitente, entre o curioso e quem não consegue se afastar da compulsão narrativa. O amador cansará nos primeiros meses. Vai deduzir que não vale a pena o trabalho, que ninguém lê. Uma tortura postar textos durante três meses e não receber nenhum comentário.
São os quarenta dias do deserto, com as tentações sobrevoando o teclado.
“Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio e, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome”
Mateus, versículo 4, 1:
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